Automação, segurança e eficiência estão ganhando espaço nos imóveis brasileiros. Mas até que ponto uma casa inteligente realmente vale mais?
Acender as luzes pelo celular, controlar a temperatura, abrir a porta por biometria ou monitorar a residência à distância já deixou de ser apenas uma novidade tecnológica.
O conceito de smart home está chegando ao mercado imobiliário e pode aumentar a atratividade de um imóvel. Mas não existe um percentual fixo de valorização provocado apenas pela automação.
Uma pesquisa divulgada pela ABECIP aponta que 10% dos compradores entrevistados consideram tecnologia de ponta um fator de valorização imobiliária, enquanto 80% afirmaram que itens de segurança, como portaria virtual, câmeras e fechaduras digitais, impulsionam a valorização.
O que mais valoriza?
Nem toda tecnologia tem o mesmo peso para o comprador. Entre os recursos mais interessantes estão:
- Fechaduras digitais;
- Câmeras e sistemas de segurança;
- Controle inteligente de iluminação;
- Automação de ar-condicionado;
- Persianas automatizadas;
- Sensores de presença;
- Controle de acesso;
- Sistemas de economia de energia.
O ponto principal é que a tecnologia precisa resolver um problema ou melhorar a experiência de morar.
Tecnologia não significa necessariamente preço maior
Uma casa equipada com dezenas de dispositivos não será automaticamente mais cara.
O valor de mercado continua dependendo de fatores como localização, área, conservação, padrão construtivo, oferta e demanda. Avaliações imobiliárias também utilizam imóveis comparáveis e condições do mercado para determinar valores.
Por isso, instalar equipamentos caros apenas para tentar aumentar o preço de venda pode não gerar retorno proporcional ao investimento.
Segurança pode ser um diferencial
Entre as tecnologias de smart home, a segurança parece ter uma conexão particularmente clara com a percepção de valor.
Fechaduras digitais, câmeras, controle de acesso e portarias inteligentes podem aumentar a percepção de segurança e conveniência.
Além disso, sistemas bem instalados podem representar um diferencial comercial na hora de anunciar o imóvel.
E para o corretor?
O corretor precisa saber vender a tecnologia como benefício, e não apenas como uma lista de equipamentos.
Em vez de dizer que o apartamento possui “automação de iluminação”, por exemplo, é mais interessante mostrar que o morador pode controlar as luzes pelo celular ou criar cenários para diferentes momentos do dia.
A tecnologia passa a ser parte da experiência do imóvel.
Afinal, quanto um smart home pode valorizar?
Não existe uma porcentagem universal confiável.
O impacto depende do padrão do imóvel, da qualidade da instalação, da região, do perfil do comprador e da utilidade dos recursos oferecidos.
Em outras palavras: uma smart home pode aumentar a atratividade, diferenciar o imóvel e contribuir para sua percepção de valor, mas não deve ser tratada como uma fórmula automática de valorização.
O melhor investimento é aquele em que a tecnologia melhora simultaneamente segurança, conforto, eficiência e experiência de uso.