Financiamento imobiliário: como os juros realmente impactam o preço final do imóvel

Financiamento imobiliário e impacto dos juros no preço final do imóvel

Comprar um imóvel de R$ 400 mil não significa necessariamente pagar R$ 400 mil. Quando parte da compra é financiada, os juros podem aumentar significativamente o valor desembolsado ao longo dos anos.

Por isso, quem está pensando em financiar um imóvel não deve olhar apenas para o valor da parcela.

É preciso considerar entrada, juros, prazo, sistema de amortização, seguros, tarifas e custo total da operação.

Quanto os juros podem aumentar o custo do imóvel?

Imagine um imóvel de R$ 400 mil, com R$ 80 mil de entrada e R$ 320 mil financiados.

Para entender o impacto do prazo, vamos utilizar uma simulação matemática hipotética com taxa de 0,9% ao mês, pelo sistema Price. Os valores não representam uma proposta bancária e não incluem TR, seguros, tarifas ou outros encargos.

PrazoParcela aproximada*Total das parcelas*Entrada + parcelas*
20 anosR$ 3.260R$ 782 milR$ 862 mil
30 anosR$ 3.000R$ 1.08 milhãoR$ 1,16 milhão
40 anosR$ 2.950R$ 1,24 milhãoR$ 1.32 milhão

*Valores meramente ilustrativos.

O exemplo mostra uma questão importante:

a parcela menor não significa necessariamente um financiamento mais barato.

Ao aumentar o prazo, o comprador reduz o valor mensal, mas permanece pagando juros durante mais tempo.

Prazo maior ou parcela menor?

Essa é uma das principais decisões de quem financia um imóvel.

Um prazo maior pode facilitar o enquadramento da parcela no orçamento. Porém, em condições semelhantes, o custo financeiro total tende a ser maior.

Já um prazo menor normalmente aumenta a parcela, mas reduz o período de incidência dos juros.

Por isso, o melhor prazo não é simplesmente o menor possível.

É aquele que permite ao comprador pagar a dívida sem comprometer excessivamente o orçamento.

A entrada também faz diferença

Quanto maior a entrada, menor tende a ser o valor financiado.

Por exemplo:

Imóvel: R$ 400 mil

Entrada de R$ 80 mil: financia R$ 320 mil.

Entrada de R$ 120 mil: financia R$ 280 mil.

Entrada de R$ 160 mil: financia R$ 240 mil.

Um financiamento menor pode significar menos juros ao longo do contrato.

Mas existe um cuidado: não é recomendável utilizar toda a reserva financeira apenas para aumentar a entrada. O comprador também precisa manter dinheiro para emergências, documentação, mudança e outros custos da aquisição.

Não compare apenas a taxa de juros

Na hora de escolher um financiamento imobiliário, olhar somente a taxa anunciada pode ser insuficiente.

Também é importante verificar o Custo Efetivo Total (CET), que permite observar de forma mais ampla os custos envolvidos na operação.

Compare:

  • valor da entrada;
  • valor financiado;
  • taxa de juros;
  • CET;
  • prazo;
  • sistema de amortização;
  • seguros;
  • tarifas;
  • valor das parcelas;
  • custo total.

Essa comparação pode revelar diferenças importantes entre propostas.

Amortizar pode reduzir o custo do financiamento

Durante o financiamento, o comprador pode ter a possibilidade de realizar amortizações antecipadas.

Ao reduzir o saldo devedor, pode diminuir o prazo da dívida ou o valor das prestações, conforme as condições do contrato.

Por isso, dinheiro extra recebido durante os anos — como bônus, venda de outro patrimônio ou outros recursos — pode ser utilizado para avaliar uma eventual amortização.

A decisão, porém, depende da situação financeira de cada comprador.

Afinal, quanto o imóvel vai custar?

A resposta não está apenas no preço anunciado.

Um imóvel de R$ 400 mil pode representar um desembolso muito maior quando financiado durante décadas.

Por isso, antes de assinar o contrato, faça uma simulação e descubra:

quanto você precisa dar de entrada, quanto poderá financiar, qual será a parcela e quanto poderá pagar ao longo do contrato.

E lembre-se: financiamento imobiliário não deve ser escolhido pela menor parcela, mas pelo equilíbrio entre parcela, prazo e custo total.

Está pensando em comprar?

Antes de começar a visitar imóveis, descubra quanto você consegue financiar.

Uma boa simulação pode mostrar sua faixa de preço e evitar que você procure imóveis acima — ou abaixo — da sua capacidade de compra.

Faça uma simulação e descubra seu poder de compra.

Leia também