Crédito caro e insegurança jurídica podem frear mercado imobiliário em 2027

Edifícios residenciais representam o mercado imobiliário brasileiro

O mercado imobiliário brasileiro poderá enfrentar um cenário mais desafiador em 2027. O custo do crédito, a redução dos recursos disponíveis na poupança e a insegurança jurídica são apontados como fatores que podem limitar o financiamento habitacional e desacelerar as vendas de imóveis.

A avaliação é de Daniel Gava, CEO da Rooftop, empresa de tecnologia para o setor imobiliário. Segundo o executivo, o principal desafio não será necessariamente a falta de compradores, mas o custo do dinheiro necessário para financiar as aquisições.

Poupança perde espaço no financiamento imobiliário

Um dos pontos de atenção é a saída de recursos da caderneta de poupança, tradicional fonte de financiamento habitacional no Brasil.

Dados do Banco Central mostram que, entre janeiro e setembro de 2026, as retiradas líquidas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) chegaram a R$ 53,22 bilhões.

Com a redução desses recursos, os bancos tendem a buscar alternativas no mercado de capitais, por meio de instrumentos como LCI, CRI e LIG. Essa mudança pode tornar o financiamento mais dependente das condições econômicas e da confiança dos investidores.

O novo modelo de crédito imobiliário, cuja implementação está prevista para 2027, também representa uma transformação importante na forma como os recursos da poupança serão direcionados ao setor.

Juros e insegurança jurídica preocupam o setor

As taxas de juros continuam sendo outro obstáculo para quem pretende comprar um imóvel. Quando o custo de captação dos bancos aumenta, o financiamento tende a ficar mais caro, elevando o valor das parcelas e reduzindo o poder de compra das famílias.

Além da questão financeira, Gava destaca a importância da segurança jurídica para atrair investimentos. A previsibilidade das regras e a proteção dos contratos são consideradas fundamentais para reduzir riscos e estimular a oferta de crédito.

Nesse contexto, o setor acompanha os efeitos do Marco Legal das Garantias, que ampliou mecanismos de execução extrajudicial de garantias imobiliárias.

O que esperar do mercado imobiliário em 2027?

O cenário dependerá da evolução dos juros, da disponibilidade de recursos para financiamento e da confiança dos investidores na economia brasileira.

Para compradores, o crédito mais caro pode exigir maior planejamento financeiro. Para incorporadoras e imobiliárias, o desafio será adaptar estratégias comerciais a um consumidor mais cauteloso e sensível às condições de financiamento.

Apesar das incertezas, a demanda por moradia permanece como um importante componente do mercado. O desempenho do setor em 2027 dependerá, em grande parte, da capacidade de manter o crédito acessível e oferecer condições que permitam às famílias realizar a compra do imóvel.

Fonte: Revista Oeste, com informações e declarações de Daniel Gava, CEO da Rooftop, e dados do Banco Central.

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